segunda-feira, 30 de julho de 2012

Chain. Chance. Change.

A mudança. Tão temida, tão bem vinda. Transforma a tudo que toca, seja cadeira, corpo, mente, alma.
Ela vem assim, mandriosa, inesperada, aterradora, transformista inevitável, metamorfose bem vinda.
Chega quando menos se quer, porém quando mais se espera, se acomode e verá, seu mundo de cabeça pra baixo. É ela, languida como só ela pode ser, parece nuvem, parece sombra, parece chuva, que no fim, no fim mesmo, esconde um arco-íris de esperança.
É ela que faz o mundo girar, se dependesse de nós, reles humanos, a Terra seria quadrada, estática, acomodada.
Primeiro vem a promessa, de que um dia, tudo mudará, depois vem a mudança, pouco a pouco mas ela chega, carregada pelos suspiros e sonhos sussurrados ao vento, e por fim, chega aquela, esplendorosa e impactante, a evolução, que faz surgir novos suspiros e sonhos de serem como ele, o ser evoluído, e assim, nesse ciclo vicioso, o mundo gira, sem parar, desesperado por uma mudança, como um selvagem preso nas correntes de seu próprio pensamento primitivo, preconceituoso, petrificado e enclausurado, o louco em sua forma mais pura, que procura uma chance, só uma, de quebrar suas correntes e fugir, desesperado, a procura de um novo mundo, mais claro, mais limpo, melhor.
Não digo que mudei, longe disso, mas eu quero, do fundo do meu ser, e quem sabe não é essa vontade que me libertará de meus preconceitos e medos, dessa minha gula pelo estável, dessa minha hipocrisia solúvel?

The world keep on changing...why shouldn't I?

terça-feira, 17 de abril de 2012

Transcrição de "A Despedideira" de Mia Couto - Conto para Poema


Queres seu homem Sol?

Eu quero o meu nuvem.

Sem cor, sem voz

Só sombra, só nuvem.

Que me deixe ser livre, mulher

Mesmo que nem sempre sua.

Que tenha medo, marés

No ciclo das águas e dos ventos

E, quem sabe

De vez em quando seja mulher

Que me vista e saiba me vestir

Como se suas mãos fossem minha própria vaidade.

Há muito, me casei

Como rio que corre, forte e caudaloso

Ele se foi, assim como minha vida

Eu já era outra, habilitada a ser ninguém

Ainda assim, de meu carrasco

Bate saudades, desse alguém.

Me lembro sim, daquela época

Encanto que veio, de repente.

Eu era nova, dezanovinha

Tudo era de príncipe, um princípio.

Neste mesmo pátio

Me dirigiu palavra

No primeiro dia

Aí percebi,

Que falado, nunca havia.

Neste mesmo pátio

O que havia feito

Era comercia palavra

Em negoceio de sentimento

Desperdício, diria.

Falar é outra coisa

É essa ponte sagrada

Que quando ele falava

Me solvia na fala, insubstanciada.

Neste mesmo pátio

Lembro desse encontro

O ar por A parava

A brisa sem voar

Quase nidificada

Quando ele tomava a palavra.

Vez voz, olhos e olhares.

Ele, em minha frente

Todo chegado sem usual barragem

Como se sua única viagem

Tivesse sido minha vida,

Querida.

E ele, sempre distante

O último entre seus dedos,

Do cigarro não fumava

E em minha taquicardia

O tabaco se auto-consumia.

E ele gostava assim

A inteira cinza, intacta ao chão

Por ele tombei como igual

Desabei inteira sobre seu corpo

Depois, me desfiz, em poeira estrelada

O vento que me espalhava, nada mais que sua mão.

Nesse mesmo pátio

Em que estreava meu coração

Tudo acabaria, afinal

A paixão dele desbrilharia

A murchidão, do que antes, florescia.

Diz-se que a tarde cai

E que a noite, também cai

Ao contrário, é a manhã que se vai.

Por um cansaço de luz

Suicídio de sombra,

Espreguiçando, mandriosa, inventadora de sombras.

Aos goles de lembrança, na varanda

Sinto que minha alma é água,

Se me debruçar tanto,

Me entorno e morro, vazia. [i]

Assim ele virá, para renovar despedidas

Acreditei, sim, no amor

Em que dois, é se multiplicar em um

Mas hoje sinto,

Ser um ainda é muito.

Ambiciono, sim, ser múltiplo de nada.

Ninguém no plural.

Ninguéns.

Nada mais que o nada.



Giovanna Tezzei

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Woodstock


Depois de tudo que passei, de tudo que senti, não consigo mais te ver. Teu olhar, teu sorriso, me trazem a lembrança dos bons tempos. Pensamos que tudo ficaria bem, e me lembro, sim, da nossa woodstock fantasiosa de puro rock 'n' roll. Lhe peço que não me esqueça, e nem me peça 'por favor'. Quando tiver de voltar, volte, e faça parte da minha nova vida. Sem ti, sem woodstock, sem nada...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Somewhere back in time


Isso é loucura. Sempre foi loucura. E eu sei que você sabe disso.
Mas tem coisas que a gente não tem como negar.
Que você sempre soube ler, e principalmente, compreender esse livro embaralhado que eu sempre chamei de mente. Talvez isso tenha ajudado você a me enganar da primeira vez...
E não tem como negar que por mais que tenhamos tumultuado simultâneamente as nossas vidas, sempre tivemos algo em comum.
Não tem como negar que eu fui infantil, egoísta, impulsiva, orgulhosa.
E também não tem como negar que você foi grosso, impassível, inflexível, arrogante.
E principalmente, não tem como negar que antes da minha última carta o que estava acontecendo era masoquismo, estávamos nos destruindo, consumidos pelos fantasmas do passado.
Eu estava disposta a mudar, eu mudei. Mas você demorou um pouco demais pra entender isso. E eu fugi, com medo, cansada, decepcionada.
Eu te machuquei demais, eu sei. E você também sabe o quanto me machucou. Foi uma idiotice, que me fez crescer e entender o porque de eu ter fugido.
Da primeira vez, quem mudou fui eu. Impaciente, impulsiva, estava cansada e percebi que não sentia mais por você a mesma coisa de antes. Achei que era página virada, fugi sem remorsos.
Depois eu percebi o meu erro. Comecei a sentir falta, muita falta, do que tivemos. Dei o braço a torcer, deixei todo o meu orgulho de lado e pedi perdão.
O problema foi eu ter voltado e achado que tudo seria como antes, era óbvio que não, mas eu me recusei a ver a verdade. O tempo que passei com você foi um dos melhores da minha vida, e voltei achando que teria de volta tudo que deixei para trás.
E me assustei, me arrependi, mas não entendi a magnitude do que eu tinha feito. O problema não era eu, nem você, era o tempo, que ajuda a curar velhas feridas, a abrir novas e então você muda, amadurece, pode ficar amargo ou mais doce, não importa, você não é mais a pessoa de tempos atrás.
Talvez você estivesse estressado demais, ou fosse eu que estava decepcionada demais, mas éramos nossos próprios parasitas. Você não imagina o quanto eu fiquei remoendo durante esse tempo todo, pensando em quanto eu te fizera mal, sonhei com isso. E também tive tempo pra pensar em tudo, que eu não fora só eu a Cruela Devil da nossa história.
A verdade é que eu cansei...
Cansei de procurar nos outros o que eu tinha em você. A saudade pesa, e aquilo que eu tive contigo me fez muito bem, mas chega. Está na hora de procurar uma nova paixão, uma nova razão de viver, e me dedicar ao máximo para tentar te esquecer.
Eu queria recomeçar, um recomeço, sem mentiras, sem máscaras, o mais límpido possível, mas será que eu consigo? Eu tinha escolhido ser o fantasma da sua vida, e sem querer tentei te manter como o meu. Mas acho que não tenho vocação pra assombração, não consigo calar a boca nem por 5min, imagina por uma eternidade?!
Eu tenho medo... muito medo de você me machucar de novo.
Mas, se 'a coragem não é a ausência do medo', talvez eu tente, mas dessa vez sem pressa, sem correria, sem medo de ser feliz.

I thought I'd lost you somewhere back in time...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

I feel it's gonna rain

Tá ruim. Muito ruim.
Não gosto disso. Já chorei. Muito. Mais de uma vez.
E
Não sei...
Talvez o problema esteja em mim.
Ou não.
O problema não é acontecer uma vez. É acontecer de novo. E eu acho que vai acontecer mais uma vez.
Talvez não entenda que eu amo. E muito.
Desde quando? Desde sempre. E sabe disso. Sempre soube.
Essa tensão no ar, até quando vai durar?
Espero que chova. Eu sinto que vai chover. Eu sei que vai chover. Sempre chove.
E assim como a chuva, eu sei que vai passar.
Eu sei que vai passar. Sempre passou.
Tudo passa.
Mas isso não quer dizer que não doa enquanto ainda não passou.

Por favor, chove logo!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

The Boat That Rocked e #DayMusic


Bom, com férias e tudo, eu acabei pegando uns filmes pra assistir.
E um que chamou minha atenção foi um chamado "Os Piratas Do Rock".
Com um elenco maravilhoso e trilha sonora de primeira, ele conta uma história real sobre o nascimento do Rock 'n' Roll do Reino Unido. O problema era que a rádio BBC só tocava em média 45min por dia de Rock e Pop. Então ao redor do litoral começaram a surgir as Rádios Piratas, que tocavam o mais puro Rock e Pop 24h/7d e eram ouvidas por 25 milhões de pessoas, mais da metade da população da Inglaterra! O filme se foca em uma rádio chamada Rádio Rock que conta com o Capitão Quentin, seu sobrinho Carl, e os DJ's "The Count", "Mr. Sutil Sensuality - news guy", "Simple Simon", "Dr. Dave", "Star DJ", "Angus The Nut Nutsford", "Bob The Dawn Treader" e o meu favorito, "Midnight Mark".
Interpretado por Tom Wisdom, acabei falling in love pelo personagem (Midnight Mark). Pra quem não sabe, ele fez também um dos deuses gregos de 300 (o da esquerda), o jovem filho do capitão que vai para a batalha e acaba decapitado. Juntando os dois personagens se forma um páreo sem igual, com um corpo de Deus Grego, calças de couro, um perfeito gosto musical e uma voz irresistível.
Pra vocês (e pra mim, lógico!), um pouco dessa minha sedução sobrenatural e como a nossa #DayMusic a trilha sonora de "The Boat That Rocked"!


#amei

terça-feira, 12 de julho de 2011

Campanha: Eu Quero Uma Harley Davidson Rocker !


Nova Campanha:
Eu Quero Uma Harley Davidson Rocker !
Quem quiser se juntar a nossa nobre causa, só se inscrever via comentário.
Pra quem quer o wallpaper, Linksó clicar aqui !

A Garota do Hoje


Não sei.
Não digo que sou aquela lá. Nem que fui. Nem que serei.
Talvez eu seja a que fica no quarto, e supira toda vez que uma moto passa, quem sabe não é meu príncipe em uma Harley branca, como tanto sonhei?
Talvez eu seja a louca, problemática, a da batata frita com sorvete.
Não sei.
Não sei se posso pensar em dizer que sou livre.
Nem que estou presa.
A liberdade é relativa.
Pra mim é uma coisa.
Pra você, pode ser outra totalmente diferente.
Pra mim pode ser, sim, poder sair com um homem de Harley branca e ir para o Rock In Rio.
Quem sabe...
Pra você pode ser fazer seu sonhado mochilão pela europa.
Quem sabe....
E pra ela, como será?
Será poder dirigir, beber, sonhar, e não se preocupar?
Não, isso não se chama liberdade, não.
Não sei.
Talvez eu esteja errada, talvez estejamos todos errados.
Quem sabe?
Talvez eu seja louca, o Rock In Rio mudou, as Harley's mudaram, ele mudou.
Já ouvi gente confundir Rock com Metal, e isso fica cada vez menos raro.
Rock é a base do blues, a expressão da alma do artista, com uma guitarra mais animada e uma bateria suave, mas não tão suave assim, com David Coverdale ou Brian Johnson no vocal.
Eles esquecem que o pai do Rock não foi Angus Young, não foi.
Foi o titio Elvis, de topetão e boca de sino, com os colegas Beatles e sua St. Peppers Lonely Heart Club Band e até os carinhas do Roling Stones com a bocona do Mick Jagger.
Eles esquecem...
Esquecem que Steve Harris joga futebol e sobe no palco pra tocar The Number Of The Beast, e o amado Bruce Dickinson canta The Evil That Men Do e é piloto de avião.
Iron Maiden não é AC/DC, e eles esquecem.
Já vi gente olhar e se assustar quando descobre um gosto musical.
Eles esquecem que pra curtir Rock não precisa usar preto, nem roupa de couro, ou ter cabelo comprido.
Eles esquecem que um dos pais do Rock andava por aí de boca de sino branca, topetão e ele brilhava.
Eles esquecem...
Esquecem que o Rock era pra ser divertido, em épocas nem tão divertidas assim.
Não era pra ser "essa bateria está errada" ou "eu toco melhor que esse cara", não era.
Talvez eu sinta saudades de uma época que eu não vivi, quando o Rock era apenas um bebe, uma criança, livre, que animava a todos, fazia dançar, fazia acontecer.
Talvez o Rock tenha tido que crescer com as gerações posteriores, e virar um velho chato.
Quem sabe o Rock não era pra ser "forever young"?
E
Quem sabe eu não comecei a escrever esse texto com outro objetivo?
Quem sabe...
Devaneio vai, devaneio entra, e ele envelheceu.
O conceito de liberdade mudou.
Tudo muda.
Mas ninguém me proíbe de continuar sonhando com os tempos antigos, de quando o Rock In Rio tinha bandas de Rock, e quem sabe eu não poderia ir pra lá com o meu homem na Harley branca, e ver tudo que era mais antigo voltar....
Quem sabe...
Who knows?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

As três fazes do desapontamento


1ª fase:
Depressão.
Efeito(s): grande derramamento de NaCl + H²O.
Duração: Em média, 1 ou dois dias...

2ª fase:
Inspiração.
Efeito(s): Você desenha. Você escreve. Pinta. Você transfere toda a sua dor para uma folha de papel (ou pra tela do pc).
Duração: Em média de 1/2 até 1 e 1/2 dia...
3ª fase:
Revolta.
Efeito(s): Você fica brava. Você ironiza. E ai de quem te fale algo bom do motivo pelo qual você se decepcionou...
Duração: de 1 dia a até 1 semana....
That's the way it is !