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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Somewhere back in time


Isso é loucura. Sempre foi loucura. E eu sei que você sabe disso.
Mas tem coisas que a gente não tem como negar.
Que você sempre soube ler, e principalmente, compreender esse livro embaralhado que eu sempre chamei de mente. Talvez isso tenha ajudado você a me enganar da primeira vez...
E não tem como negar que por mais que tenhamos tumultuado simultâneamente as nossas vidas, sempre tivemos algo em comum.
Não tem como negar que eu fui infantil, egoísta, impulsiva, orgulhosa.
E também não tem como negar que você foi grosso, impassível, inflexível, arrogante.
E principalmente, não tem como negar que antes da minha última carta o que estava acontecendo era masoquismo, estávamos nos destruindo, consumidos pelos fantasmas do passado.
Eu estava disposta a mudar, eu mudei. Mas você demorou um pouco demais pra entender isso. E eu fugi, com medo, cansada, decepcionada.
Eu te machuquei demais, eu sei. E você também sabe o quanto me machucou. Foi uma idiotice, que me fez crescer e entender o porque de eu ter fugido.
Da primeira vez, quem mudou fui eu. Impaciente, impulsiva, estava cansada e percebi que não sentia mais por você a mesma coisa de antes. Achei que era página virada, fugi sem remorsos.
Depois eu percebi o meu erro. Comecei a sentir falta, muita falta, do que tivemos. Dei o braço a torcer, deixei todo o meu orgulho de lado e pedi perdão.
O problema foi eu ter voltado e achado que tudo seria como antes, era óbvio que não, mas eu me recusei a ver a verdade. O tempo que passei com você foi um dos melhores da minha vida, e voltei achando que teria de volta tudo que deixei para trás.
E me assustei, me arrependi, mas não entendi a magnitude do que eu tinha feito. O problema não era eu, nem você, era o tempo, que ajuda a curar velhas feridas, a abrir novas e então você muda, amadurece, pode ficar amargo ou mais doce, não importa, você não é mais a pessoa de tempos atrás.
Talvez você estivesse estressado demais, ou fosse eu que estava decepcionada demais, mas éramos nossos próprios parasitas. Você não imagina o quanto eu fiquei remoendo durante esse tempo todo, pensando em quanto eu te fizera mal, sonhei com isso. E também tive tempo pra pensar em tudo, que eu não fora só eu a Cruela Devil da nossa história.
A verdade é que eu cansei...
Cansei de procurar nos outros o que eu tinha em você. A saudade pesa, e aquilo que eu tive contigo me fez muito bem, mas chega. Está na hora de procurar uma nova paixão, uma nova razão de viver, e me dedicar ao máximo para tentar te esquecer.
Eu queria recomeçar, um recomeço, sem mentiras, sem máscaras, o mais límpido possível, mas será que eu consigo? Eu tinha escolhido ser o fantasma da sua vida, e sem querer tentei te manter como o meu. Mas acho que não tenho vocação pra assombração, não consigo calar a boca nem por 5min, imagina por uma eternidade?!
Eu tenho medo... muito medo de você me machucar de novo.
Mas, se 'a coragem não é a ausência do medo', talvez eu tente, mas dessa vez sem pressa, sem correria, sem medo de ser feliz.

I thought I'd lost you somewhere back in time...

terça-feira, 10 de maio de 2011

I left my heart in Paris


Eu acordei com o sol parisiense em meu rosto. Uma leve brisa soprava pela janela.
Estiquei meu braço e encontrei os lençóis vazios. Abri os olhos e procurei.
-Eu tentei não te acordar. Pardon.
-Qu'est-ce que c'est?
-Adeus, mon amour.
Ele jogou a jaqueta por cima do ombro, abriu a porta e se foi. E levou meu coração consigo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Just Do It !

"Se você não correr atrás de seus sonhos, ninguém correrá por você."
Muito antes de me dar aquele conselho sobre minha angústia, ela havia me dado este.
Há mais ou menos 2 anos eu parei de fazer aula de bateria. Há 6 meses, parei de remar.
Minha desculpa ?
Lordose.
Sim, dói muito, mas não mais do que parar de fazer o que eu sempre gostei.
Sempre quis fazer teatro. Sempre quis fazer aulas de canto. Se deixar isso na mão de meus pais, nunca que o farei.
Foi assim, que seguindo seu conselho, resolvi tomar alguma atitude.
Quando quis ir ao show do AC/DC, nem precisei me esforçar.
Meu irmão arrumou tudo e lá estávamos nós dia 27/11/09.
No show do Iron Maiden, ele não está muito disposto a ir.
Tive que eu correr atrás e pedir a minha irmã que os comprasse.
Passa dia, passa noite, e nada de ingresso.
Um dia, na hora certa, lembrei de pedir.
Logo chegarão meus ingressos, para o show que irei com a mesma pessoa que dá meus conselhos.
Hoje, segui meu próprio exemplo:
Liguei na escola de música, vi que horas o professor tem disponíveis, e sim, vi que dia são as aulas de canto.
Com isso dei o primeiro passo de muitos que ainda darei.
O remo ?
Por enquanto não.
Com as aulas de bateria, forçarei ainda mais minha coluna.
Antes de remar, RPG.
O teatro ?
Ainda não vi. Hoje a noite, quem sabe, não dou mais um passo ?
A lição de moral ?
Corra atrás de seus sonhos, porque se não o fizer, ninguém o fará por você.
Dreams don't get realized from nothing. Fight for it !

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Someday, somehow, i'm gonna make it alright, but not right now...♪

"Quando te vi naquele dia, vi que nada pelo qual lutara valera tanto a pena quanto tudo que eu fizera para chegar até você. Achei que aquele sentimento nunca se esvairia, que tudo aquilo que me agarrara não me largaria mais; nunca mais. Que ficaria grudado em, não somente em meu coração, mas em meu corpo inteiro. Achei que aquela sensação invasiva ficaria para sempre.
Mas então, descobri o quanto você mudara. E não falo somente do quanto crescera e do corte de cabelo novo. Aquele não era mais você, não era mais o alguém que fora meu melhor amigo, meses atrás. Sua índole não é e nunca mais será a mesma, você não é mais aquele bobo sorridente do verão passado. Você estava fechado, amargo, e embora seus lábios se curvassem naquele mesmo sorriso pelo qual me apaixonei, seus olhos, seus lindos olhos cor de noite, não sorriam. Não mais. Sei que não é fácil passar pelo que você passou, sei que eu também mudei e também sei que você descobriu coisas sobre mim que são difíceis de explicar e ainda mais de entender.
Dizem que a guerra muda as pessoas. Agora sei como as mulheres que aguardavam seus namorados-soldados se sentiram ao revê-los. Euacho.
Não quero ter de dizer novamente 'eu te amo' porque estaria mentindo para mim mesma. Não estou dizendo que é o fim, mas também não posso dizer que é a continuação. Pode me odiar, eu deixo. Só, por favor, não me procure mais, pois se me achar, não posso dizer que vou agir de forma tão passiva.

A gente se esbarra, Gabriel."
Demetra terminou de reler a carta e colocou-a por de baixo da porta. Mais uma carta.
'já foram três, faltam dois'
Se relembrou da reação de Felipe, que nem carta tivera. Ele fora o primeiro, ela não poderia prever como se sairia. A carta era o melhor jeito. As cartas. Faltavam duas, a serem escritas e depositadas. Principalmente para ele, seu primeiro e único grande amor.
O som de um galho quebrando lhe fez perder a linha de raciocínio. Ela então olhou para o relógio.
-Merde! - exclamou baixinho. Demorara demais.
Com reação de francesa, blusa amarrada na cintura e olhar decidido, ela seguiu em frente a passos largos. Não poderia demorar. Ou então, a vida dele correria total e pleno perigo. Seu primeiro e único amor.


shiiiiu ! ;]

domingo, 4 de julho de 2010

BeScary.com -p3 #final

-Marianaa, seja uma boa garota. Hoje teremos um passeio, olha que coisa boa?
-ME DEIXA EM PAZ!
-Tsc tsc tsc, não é assim que se fala com a sua enfermeira. Venha cá, seja uma boa menina, venha tomar a sua injeção.
-UGH!

Passeio, ora essa. Para onde, afinal?
-Pra onde você vai me arrastar?
-Um lugar bem legal, você vai gostar. Há muitas árvores e pássaros lá.
Uma injeção
Capotei.

Acordei dolorida, a van sacolejava de mais.
Sem janelas.
A onde estavam me levando?!
-Chegamos! – disse aquela enfermeira maluca com sua voz irritante.
Abriram a porta.
O sol me cegou.
Eu olhei por toda a volta.
Reconheci o local.
-Venha querida, vamos fazer uma linda fogueira em uma clareira aqui perto.
Saí correndo, não podia estar acontecendo novamente.
Corri para o lado errado.
Quando perdi o fôlego, parei.
-Olhe querida, vi que achou o local!
Olhei em um canto.
Alguma coisa chamara minha atenção.
Algo prateado.
Fui ver o que era.
Não podia ser!
Minha lanterna.

The End (or not...)

BeScary.com -p2

No dia seguinte, a terra amanheceu encharcada.
Lá se foram as minhas esperanças de ver as marcas dos pezinhos.
Fora tudo um sonho, tentava me convencer disso.
Um sonho tão real.
Resolvi permanecer.
Naquela noite, deixei a fogueira acesa.
Estava cansada, quase não dormira na noite anterior.
Me recolhi cedo novamente.
Acordei novamente.
O mesmo sonho.
A mesma sensação de estar sendo vigiada.
Os mesmos passos.
A fogueira se extinguiu.
O frio aumentara, conseguia ver a nuvenzinha de fumaça que saía quando respirava.
Novamente o fogo se acendeu mais alto e forte do que antes.
As mesmas sombras.
A mesma cantoria.
As mesmas vozes.
As mesmas batidas na barraca.
O mesmo bater de pés.
A mesma poeira.
Eu me cobri.
Mas, pera, não podia ser tão covarde.
Saí novamente.
Novamente, silêncio.
A fogueira estava apagada.
Das crianças, nem sinal.
Uma gota.
Começara a chover novamente.

No dia seguinte, amedrontada, resolvi voltar para casa.
Lar doce lar.
Droga, havia esquecido minha lanterna.
Sem crianças.
Ou quase.
-Querida? Mariana? Chegamos!
-MAAARII !
Era Daniela, minha irmã mais nova.
Ela abraçou minhas pernas.
-Olha Mari, eu perdi um dente ! A fada vai vir me visitar !
-AAAAAAAAAAAAAH – eu gritei e me libertei. Fugi e me tranquei em meu quarto.
Deitada na minha cama, soluçava sem lágrimas. O que estava acontecendo comigo?!

Naquela noite, ouvi passos no corredor.
Devia ser meu pai vindo me mandar desligar o computador.
De repente acabou a energia elétrica.
Resolvi acender uma vela e ligar para a Eletropaulo.
Ocupado.
A vela apagou e se acendeu novamente, com uma chama mais forte.
“NÃO PODE SER!” pensei “DE NOVO NÃO!”.
Batidas na porta e na janela.
Vozes de crianças.
Olhei para a janela.
Através do vidro e da cortina, vi a sombra de uma criança.
Enfurecida, quebrei os vidros, chutei a porta até sair da dobradiça.
-MARIANA! O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO?!
-CADÊ?! CADÊ ELA?!
-QUEM?!
Uma porta se abriu.
Ouvi choro de criança.
-DANIELA!
Saí correndo pelo corredor.
Tudo que me lembro desse momento foi dela chorando, desesperada.
Sangue.
Havia sangue em minhas mãos.
-NÃO!
Chorei, gritei, corri.
Abria a porta das casas, enfurecida.
Choro de criança.
Sangue.
Cada vez mais sangue.
Um homem bombado, de uniforme branco me segurou.
Outro me colocou em uma camisa de força.
Me levaram em uma vãn, me deram uma injeção.
Apaguei.
Quando acordei, estava em um quarto branco, acolchoado.
Dentro de uma semana, saiu minha sentença.
15 anos de prisão.
Os próximos 3 em um sanatório.
Os últimos 12, prisão de segurança máxima.
Saí no jornal.
“Garota de 15 anos enlouquece e mata 6 crianças na vizinhança. Uma delas, era sua própria irmã.”
Nunca mais ouvi as crianças.
CONTINUA...

BeScary.com -p1

Ainda me lembro de quando tudo começou. Era fevereiro de 1997. Desde que aconteceu, nunca mais tive paz em minha vida. Agora você se pergunta "quem sou eu”? Meu nome é Mariana, tenho 30 anos. Hoje em dia, sou conhecida como a "louca" do Bloco H. Prisão de segurança máxima. Acusação? Assassinato. Vim aqui só contar minha história, não vou dizer que sou inocente.

FEVEREIRO DE 1997

Eu estava me preparando para a volta ás aulas. No dia 7, eu resolvi viajar. Destino: Floresta de Baggins. Fazer o que lá? Ora, acampar, claro. Sempre fui fã de histórias de terror. Resolvi pesquisar sobre meu destino. Haviam contos de que em 1966 na Floresta de Baggins havia a bruxa de Baggins (jura que era esse nome? ), que foi perseguida por sequestrar e matar criancinhas. Seus corpos nunca foram encontrados. Clássico.

A viagem tinha tudo para dar errado. Era muito próximo da volta ás aulas, era uma época em que a floresta se tornava perigosa, por causa de certos assassinatos que ocorriam. Sempre gostei de um pouco de adrenalina.

Havia um porém, como sempre. Meus pais ainda estavam viajando, não se importariam se eu fosse acampar enquanto eles estivessem em um cruzeiro. De meus amigos, nem sinal. Resultado: fui sozinha.

Ao chegar à floresta, já senti um clima meio estranho. Estava frio em pleno verão.

Armei minha barraca em uma clareira, acendi uma fogueira.

Olhei para o céu. Parecia que uma forte tempestade se aproximava. Resolvi então acrescentar uma lona extra, para não morrer afogada na barraca, se chovesse.

A escuridão não demorou a chegar.

Chegou rápido de mais.

A fogueira acesa atraía alguns pares de olhos no meio do breu.

Resolvi apagá-la.

Como consequência, me recolhi cedo.

Eu estava no meio de um sonho perturbador, quando acordei, assustada.

“Calma, não passa de um sonho.” Foi o que eu pensei.

Olhei no relógio.

3h a.m.

Embora estivesse cansada, não consegui adormecer tão cedo.

Pareciam que diversos pares de olhos a observavam enquanto dormia.

Acordei novamente.

O mesmo sonho.

A mesma sensação de estar sendo vigiada.

Ouvi passos.

A barraca, coberta com a lona escura, não me deixava ver nada.

Eu me encolhi, o frio aumentara.

Peguei uma lanterna.

Quando ia ligá-la, o fogo se acendeu mais alto e forte do que antes.

Eu vi sombras.

Suspirei.

Eram apenas crianças.

Algo estava errado.

Não me recordava de meu sonho.

Tentar me lembrar dele era como tentar segurar fumaça. Segurar fumaça com as mãos.

De súbito, me lembrei.

Não era possível, só podia estar sonhando novamente.

Tentei acordar, mas nada acontecia.

As crianças começaram a cantarolar e girar em volta da barraca.

Lá lá lá lá lá.

Eu via suas pequenas sombras se movendo ao meu redor, mutiladas.

LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ.

A cantoria se fortificou.

Suas mãos encostavam-se à barraca, eu conseguia ver perfeitamente seus pequenos dedinhos.

LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ !

A cantoria só se fortificava, seu ritmo aumentava.

O bater de seus pequenos pezinhos no chão começou a parecer um trovão.

A poeira se levantou ao redor da barraca.

-JÁ CHEGA! – eu disse, e saí da barraca.

Silêncio.

A fogueira estava apagada novamente, nada mais podia ser visto.

Uma gota caiu em minha face.

Começara a chover.

CONTINUA...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

See you

"O único motivo desta carta é que não aguento mais esperar por você. Você tem uma vida tão diferente da minha, não posso ficar e prendê-lo para sempre.
Eu não aguento esperar, você me conhece.
Não somos bobos o suficiente para recomeçarmos um relacionamento, mas não somos cegos o suficiente para negarmos o que sentimos.
Não podemos ficar juntos, não agora.
Não posso ficar enquanto deveria estar bem longe daqui. Meu coração me pede para ficar, mas não consigo. Porque será que dói tanto deixá-lo?
Creio que a monotonia tenha sido tamanha, sinto que você tem muitas coisas a fazer, e não quero interferir na sua determinação com os meus excessos.

Por favor, peço que não me esqueça.
Um dia talvez você entenderá porque fiz isso.
Espero que entenda, e que um dia me perdoe.
Mas quero que saiba que nunca entenderei porque fiz isso, e será algo de que me arrependerei para sempre, mas deixá-lo é a única coisa que posso fazer agora, não posso esperar mais por um insight maior do que este.
Meu querido, eu imploro, não me procure mais.
A gente se esbarra, Filippe"
Demetra releu a carta, dobrou-a e colocou por debaixo da porta.
O cachorro já não latia mais, e a observava com uma cara triste, como se sentisse que nunca mais fosse vê-la.
Em silêncio, saiu andando pelo corredor, enquanto cobria a cabeça com a jaqueta.
Tinha começado a chover.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Diary - Quarta-feira, 2 de Junho de 2010

não sei se choro ou durmo, tá difícil . me sinto uma represa cheia de rachaduras, pronta pra desabar e deixar o rio correr livremente, para sempre ininterrupto .
Já vi essa série antes, alguns capítulos passados tiveram finais felizes . E este ? Espero que se repita. Coincidência ? Não pode ser ...
Lágrimas surgindo, olhar embaçado . A represa está com vazamento .
Será que chegou a hora ?
Não, por favor, não agora .

quinta-feira, 15 de abril de 2010

the dreamer -P3

A garota conseguiu se encontrar . Ela era ela, não o que queriam que fosse . Não ligava para o que pensavam . Se tornou confiante . Assim como todo Pokemon, ela evoluiu . ;]
Não era mais a ingênua de sempre, sabia o que queria, e lutava por isso . Seus sonhos virariam realidade, e era ela que lutaria para assim fazê-los .
A vida lhe ensinara a não entregar seu coração a qualquer um, pois assim como poderia ser um anjo que o guardaria em uma arca de ouro, poderia ser um monstro que o devoraria friamente .
Seu coração estava bem agora, não totalmente recuperado, mas a ferida parara de sangrar . Um ferimento tão profundo só o tempo cura . E não era ela que deixaria que ele se abrisse novamente . Não podia prever seu futuro, mas não deixaria seu coração de cristal se espatifar ao chão, não novamente . Seus cacos estavam para ser remendados pelo tempo . Não se tornaria inteiro como antes, você ainda conseguirá ver os veios das cicatrizes no cristal, mas ela o guardara em seu cofre de aço, do qual só ela tinha a senha . Só ela, e aquele que no futuro o mereceria .
FIM

the dreamer -P2

Perdida em seus sonhos e desejos a garota ficou . Por muito, muito tempo .
Mas um dia, ela percebeu que não era aquilo o que queria . O que estava fazendo com sua vida, com sua adolescência ?! Estava jogando tudo como se fosse areia ao vento, desperdiçando aquilo com que sempre sonhara . Agora era sua vez de brilhar . Mas, como ?
Consumida por uma paixão já não existente, deteriorada . Não era sua adolescência jogada ao vento, era sua vida inteira !
Mas ainda havia tempo para recomeçar . E conseguiu . Descobriu que poderia ser amiga daquela que julgara precipitadamente . Os nerds já não pareciam tão nerds assim, eram como ela .
Fez amigos, evoluiu . Encontrou a si mesma . Mesmo assim, não estava pronta para encarar o mundo como ele realmente era .
Foi quando o conheceu . Foi entrando em sua vida devagarzinho, e quando ela se deu conta, ele se tornara não somente um motivo para voar, mas suas próprias asas .
Mas não, não poderia acontecer novamente . Ao invés de vê-lo como um todo perfeito, procurou por defeitos naquela muralha imaculada . E os achou . Parecia estar prestes a cair, sustentado apenas por um fio . Um fio de desejo . Então a garota compreendeu . Não era ele suas asas, era exatamente o contrário . As asas dele eram ela por completo . Ela era aquela que era a desejada, não o contrário .
Mas não, não queria uma paixão, não agora . Agora era o momento em que se acharia . Talvez depois, quando estivesse pronta, inteira .
Mas ele não pensava assim . Não queria machucá-lo, ele era seu amigo . Se afastou devagarinho, ele pertencia a outra . Não era a vez dele pertencer a ela .
Será que conseguiria afastá-lo ? Não, não conseguiria . Ela ainda gostava dele . Teve que ser forte, mas mesmo assim não conseguia conter os rios de lágrimas que manchavam a fronha de seu travesseiro .
Porém, desta vez, não estava sozinha . Tinha sua amiga, sua melhor amiga a qual recorrer . Ela se tornou seu porto seguro, sabia de tudo, e ajudava como podia .
CONTINUA ...

the dreamer -P1

Era uma vez uma garota ingênua . Com seus 10 anos vivia apenas em seu mundo de fantasia, imaginando quando será que o seu príncipe encantado entraria pela porta da sala de aula, a tomaria em seus braços e a levaria para um mundo secreto em uma floresta encantada . Não falava palavrões, vivia seus sonhos, mas não sua vida propriamente dita .
Quando mudou de escola, foi um choque . Lá não era o tipo de lugar que estava acostumada . Ficou deslocada . Perdera seus amigos, perdera tudo . Era a mais introvertida, a mais excluída, não era aceita por ser mais alta e mais cheinha do que as outras . Vivia assim, sozinha .
Passaram-se 2 anos assim, sozinha . Quando descobriu as diversas conjugações do verbo a-m-a-r . Pobre coraçãozinho ingênuo; espera por apenas um relance, um vislumbre, para derreter-se em sonhos . E desprotegida, ficou escondendo o que sentia . Sentia medo do que aconteceria . Assim acabou deixando aquele sentimento devorá-la por dentro .
Podia-se olhar em seus olhos, mas não se via nada . Vazia . Estava sempre sozinha na multidão . Foi aí que se afundou cada vez mais em seus sonhos . E se perdeu em suas águas turvas de desejo .
CONTINUA ...